16 de dez de 2007

Olhares

- por Karol Felicio

Olhares de poucos segundos

Como o lateral, da garota dos drinks, olhos de pecado. Contornados de tinta negra, segundos de sedução.

Ou o casual, frontal, claro e doce. Resgate de infância, segundos maternais.

Os segundos mais cruéis no olhar do desprezo, seco, frio, duro. Olhos de dedo em riste, segundos antes da despedida.

Olhos d’água, do amor incondicional, necessitado, eterno, em desespero, à espera. Doloridos segundos em que não pude retribuir.

Olhos para o fundo do poço, para o fim que não tem, para portas fechadas e a luz queimada no fim do túnel. Olhar gelado de medo. Segundos pós-trauma.

Nos segundos em que se perde do tempo e de tudo mais que havia em volta.

A pausa do cérebro para sentir a porrada na boca do estômago, o elevador – 1000m/s- do pé ao cabelo. Segundos de prazer ou dor.

Todo o tempo do mundo em breves segundos por intensos olhares.

14 de dez de 2007

Perfeição

- por Lívia Francez

Diz meu nome
Preciso ouvir de você
Fica muito mais doce,
Muito mais claro,
Conforta a alma

Sussurra-o
Para que eu sinta a brisa
A suavidade de tudo o que ele quer dizer

Agora só me olha nos olhos
Parados, entro pela sua retina.
Azul, é tudo o que vejo dentro de você

Claro, brisa e azul
Dia de sol lagarteando
O espreguiçar de gato de manhã
Um doce depois do salgado
Perfeição

8 de dez de 2007

Subo, desço, sigo

- por Karol Felicio

Subo ladeira com Lenine

Vento na cara
Suor gelado na nuca
Não escorre.

Passo forte, mente leve
Não paro
Acácias, bromélias
Dama-da-noite me chama, impulsiona
Pureza.

Em cada canto janelas sisudas de cortinas cerradas como dentes
Mais longe, mais acima,
Edifícios de costas nuas cheirando a Dior para camuflar o ranço
Luzes coloridas por toda parte
Loucura.

Desço ladeira com Lenine

Muito mais longe e bem mais acima
Num céu negro-azulado, satélites voyeur, estrelas fazendo amor transcendental, sigo com a lua
Sensatez.


De volta ao marco zero

Lenine emudece aos poucos

Tudo muda aqui dentro
Lá fora tudo igual.

28 de nov de 2007

Fazenda

- por Karol Felicio

O que era tronco, era açoite, agora é almoço e não é mais senzala. Cheiro de comida boa. Para comer até amarrada.

Era engenho, moinho, cana, açúcar, cachaça. Era mão calejada e suor. Agora ornamentação.

E os que já foram, hoje são tudo para alguns e retratos pregados para outros. Guimarães Rosa, Chico Xavier, Adélia Prado, Dona Beija. Poetas, figuras, imortalidade.

Esporadas e o cavalo corre, a brisa gelada dilata o pulmão e o coração. Trota, relincha, cansado. E o que era necessidade hoje prazeres brutos.
Ancestralidade.

E a paisagem que era, ainda é, ainda desperta os sentidos de uma forma bem particular. Cheiro de mato, terra molhada, fazenda, estrume, carrapato.

Lindas Minas. Mineração, ouro, diamante, ferro. Trabalho, sangue, dor e morte. Valioso e bruto quilate.

O que era, o que é, o que não é o que parece, o que não existe mais...
Porque tudo, ou quase, é uma questão de ponto de vista e tempo.

18 de nov de 2007

Visceral

- por Karol Felicio


Gosto de quem gosta do novo
De quem é novo e está à frente
Como eu, meus amores, meus amigos,
Ahhhhh, meus amigos tortos e meus amores mortos... que insistem em sobreviver!

Cansa-me quem se inspira e quem exala o comercial
Cabelos lisos, bundas duras e o último capítulo da novela das 8
Saaaaaaaaaaai! Eu não quero!

Quero surpresa, quero rir espontaneamente
Quero o ofegar pulsante e perder o ar diante do novo
Não quero mais o comum, o lugar comum...

Quero gargalhar e ver minhas amídalas numa bandeja
Quero uma vida visceral, exposição de órgãos e meu corpo molhado,
dilacerado a secar ao sol
Quero-me correndo nua
nos mares e bares e quaisquer todos os lugares

Quero amar, enlouquecer, me jogar e me entregar como um banquete
Para ser devorada como tal

Quero sentir tanto até que meus poros explodam de paixão
E gritem mais
E me desintegrem e mil mins

Eu quero tudo... Para que o mundo veja como é chato, e como são chatos todos os normais

16 de nov de 2007

Pour vous

-por Lívia Francez

Personificação do meu desejo
Povoa meus sonhos noite após noite
Que petulância é essa?
Que atrevimento no seu sorriso debochado!
Essa forma de tocar com uma suave pressão que me faz entregar os pontos
Para que você possa percorrer meu corpo ao bel-prazer da sua curiosidade

Saia da morada de Morfeu e venha pra realidade
Para juntarmos a minha metade e a sua metade
Matar esse desejo de carne
Sugarmos todas as nossas almas
E transformarmos em sonho o que não é.

15 de nov de 2007

Não à burocracia

-por Lívia Francez
Burocracia de amores não faz minha cabeça. Contratos de casos me causam náuseas. Sou muito mais o incomum, o sem papel, o errante. Sem script, sem pauta, só uma grande e deliciosa tela em branco, esperando que alguém inovador venha usar as tintas como Pollock ou Dalí, a criação de uma nova convenção, em que o óbvio é descartado, onde novos conceitos surgem, mas não precisam de cartilha, só de trilha.

A surpresa em cada gesto, o inesperado a cada dia. Sem o servidor na repartição com seu carimbo tenebroso – bum – errado! O certo é o que nós temos, não o que tememos, o certo é o nosso sentimento, não o que disseram ser correto. Sem linha reta, sem cálculos, sem matemática nem gráficos. Sem ternos escuros, salas acarpetadas ou burocratas de bigode. Sem linearidade, tudo na transitoriedade.

Vem, preenche, deixa sua marca e parte. Ou fica. Faça o que quiseres, porque aqui funciona na base da anarquia sentimental, da bipolaridade amorosa. Hoje te odeio, mas amanhã tudo passa, volto a te amar, mesmo que nunca tenha deixado de sentir esse formigamento que sobe a espinha. Arrepio de gato constante.

E assim levamos a nossa história, sem amarras. Compromisso só com o acaso. Relação com a eventualidade. Marcas das mais diversas: de histórias, de dentes, de conversas intermináveis, de canções, de amor. Flertando com a escuridão e descobrindo o arco-íris. Vivendo leve, com as cores, sem os números.

10 de nov de 2007

Tentativa da poesia

-por Lívia Francez

Não sou mais aquela garota que arrastaria um bonde por você
Não quero ser aquela a quem você recorre nas horas de desespero
Tudo aquilo que eu tenho pra mostrar eu guardo
Guardo para aquele que vai saber fazer bom proveito de todo esse sentimento represado
Não mais menina, não mais a tola
Agora mais fiel a mim mesma
Mas ainda mantendo a inocência
(Afinal sou a infanto adulta mais madura que conheço)
Eu me criei nos tropeços
Eu conheço as estradas tortuosas
Eu espero
Eu calculo
Eu me jogo
Mas não deito
Não mais na sua cama
Sem a antiga ilusão
Partindo rumo a um novo caminho
Abrindo picadas à foice
Desbravando o solo do meu sentimento
Não preciso de mais nada que venha de você
Preciso descobrir o que resta em mim.

9 de nov de 2007

Sou só eu

- por Karol Felicio

Sou tempero na sua fome e cachoeira na sua sede
Sou caras e sou bocas
vermelhas, molhadas, lambidas
Sou pegadas e mordidas, sou seu fruto proibido
seu tapete e sua escada

Sou o que você sonhar
Mas não sou sua, meu bem, não pertenço a ti nem a ninguém
Sou livre, de alma leve, coração ardente
Sou floresta e sou semente em terreno fértil onde o que se planta dá

Sou santa e imaculada, imagem nunca tocada, mulher para ser venerada, dama e pernas cruzadas
Sou seu porto e te seguro, seu banquete e seu altar, sou o que você sonhar

Mas sou eu
E sem algemas
Não sou sua, meu bem, não te pertenço nem a ninguém.

4 de nov de 2007

Dose de saudade

- por Karol Felicio
E essa dose, e esse frio, e esse jazz que quase machuca
E meu coração de pedra já está em pedregulhos
E a saudade vem, e a saudade dói
Mas a saudade é boa quando vem, mas sabe que a volta é logo
Porque a saudade é cama fria e mesa posta
esperando que a garrafa vire antes que o café esfrie
É um vazio que se vê o fundo
É o frio que sobe a espinha e um calor que dá no estômago
Mas no fundo a saudade é leve
O que dói é breve
O que fica é forte
A demora é longa
Então volta logo
Que a saudade é pressa.

2 de nov de 2007

Entrega fácil

-por Karol Felicio

Entrega fácil começa assim
Misto de desespero e solidão
Qualquer coisa assim de uma sexta-solitária- feira à noite
Todos os planos de entrega ao cara certo vão pelo ralo
No ralo dos sonhos, das verdades e das certezas


As opções se restringem e se restringem e se restringem
E o que era a sua forma de encarar a vida vai junto com os sonhos as verdades e as certezas pelo ralo

Falta de perspectiva, falta do amanhã e o hoje já é tão insuportável...
E aí começa o pior
A entrega inevitável, como uma força maior que a fé de que as coisas vão melhorar ao amanhecer

Entrega de vida, falta do que se apegar, despertar de um sonho para o pesadelo da vida real, falta de forças para matar o maldito leão por dia, falta, falta, falta...
De amor nem vou falar, tudo pode ficar pior

Me entrego ao ócio, à fossa, ao fundo do ralo
Me entrego a você que for o primeiro que cruze meu caminho
E desço mais, porque entrega fácil não tem fundamento, não tem amanhã, não tem fundo. Só tem fim e só tem hoje
E de hoje eu não espero mais nada.




30 de out de 2007

Sol, calor...

- por Karol Felicio

Pequenas perversões da praia
Escoltado por lentes negras
Que não escondem um sorrisinho por cima do ombro
Um deslize por baixo da mesa

Frio na barriga do banco de trás,
Do sofá da sala, do elevador
A tentação da infidelidade
- convenção social –

Os pensamentos soltos quando os olhos fecham
E o grito escondido que declara
- consumação das delícias do pecado original –
Porque muito antes de vovó
O proibido já era mais gostoso.

Vamos fazer nada juntos?

-por Lívia Francez

Quer fazer nada comigo hoje? Te prometo um filme, um edredom quentinho, muita risada e milhões de beijos. E essa é só a proposta inicial. Deixa a vida atrás dessa porta que o domingo chuvoso está aqui, esperando para ser aproveitado como merece. Esquece tudo. Lembra de nós. Transforme essas horas intermináveis em deliciosos momentos de volúpia descompromissada.

Mergulhe de cabeça no nosso mundo e vamos nos perder um pouco. Vamos virar um, tocar o fundo dessa piscina de sensações. O passaporte para esse universo paralelo? Só a sua vontade. A vontade de se entregar tão grande quanto a minha.

Juntos vamos transformar esse domingo chuvoso num lindo sábado de sol, só por estarmos aqui. Na mesma freqüência. Com a mesma sintonia. Sincronizados. Misturados.

Glorious euphoria. Aproveitando cada segundo, devorando-nos como se não houvesse nada de mais delicioso no universo. E na verdade não há. Não nesse momento. Nesse momento em que estamos só nós, nesse domingo chuvoso, fazendo nada juntos. Nada além de sermos um do outro.

29 de out de 2007

Reza e espera

- por Karol Felicio

Acendo a vela pro meu anjo
07 dias de conforto
Sigo o caminho mais fácil e às vezes não tenho caminho a seguir
A criança ri e me mostra o quão idiota é meu sofrimento
Fase de não sentir
Tudo não tem cor, não tem gosto, mas não tem dor
O fim do sofrimento antes da manifestação de alegria – ainda longínqua
Fase de nada, nem frio nem calor
Fase de espera
07 dias do anjo que toca meu ombro
Aguarda, me aguarda, da guarda
Posso senti-lo
E espero
Intermináveis
07 dias

22 de out de 2007

Verde

- por Karol Felicio
Olho de folha, carrega a incoerência do mundo na pupila
Olho de folha de dia, olho de noite mais tarde
Bipolaridade
Quem és além da retina conflitante e inquieta?
Quem vês além de todos e tudo mais?
A mim... só a mim não creio tanto.
Ah, sim...
Olho de folha, sai da casca
Se mostra, rasga a couraça
Olho de folha que intriga, acende sempre quando apago e apaga quando me entrego. Afasta sempre enquanto me aperto.
Me ri, me chora, me ama, me torce, me passa, me aquece.
E esfria.
Sai do corpo pelo olho, me lava e toca a alma.
Mesmo que mal me lembre da cor dos teus olhos. Impossível é apagar o teu olhar.

21 de out de 2007

Carta aberta a você

-por Lívia Francez
Tenho te esperado há muito tempo. Que maneira estranha de dizer isso. Nem te conheço ainda, mas é a verdade. Espero te encontrar no caminho, match me, preencher tudo aquilo que julgava ser “impreenchível”. Mas sei que não é. Tenho esperado te visualizar dentre tantos potenciais pares perfeitos, entre todos aqueles que por acaso minha mente teimou em criar fantasias de casamento e filhos. Mas sei que não é assim que vou te encontrar. Vou te (re) conhecer num piscar de olhos, num charminho inocente. Talvez até numa cerveja despretensiosa. Num dia de não-maquiagem, num bad hair day, naqueles dias. E mesmo assim não iremos nos importar, there’s just us. Eu também não vou me importar com aquele pequeno detalhe que provoca uma interferência no que eu julgo bom senso. Não vou me importar com o que mais me irritaria em qualquer pessoa. Só porque é você. E não existe ninguém além de você.
Você não vai se importar pela minha demora em demonstrar o quanto eu sinto. Não vai me cobrar mais atenção, não vai ficar impaciente quando eu entrar no meu mundo. Você sabe que ele é parte de mim, e me recolho sempre que necessário. Você sabe de tudo o que minha cabeça pensa e que eventualmente minha boca não verbaliza. Sabe, e se sente bem. Só porque é você. E não existe ninguém além de você.
Você sabe que o coração de pedra pode quebrar. E se importa em conservá-lo como um bibelô para que não provoque uma ruptura trágica. Sabe que o lugar seguro é na minha cama, nossa cama. Sabe que com você a cama (nossa) fica melhor. E sempre melhor. Me reconhece em cada som, em cada gesto, na noite, no escuro, à meia luz, vê minha expressão sem precisar iluminar. O brilho está nos olhos. A centelha...você sabe onde. Só porque é você. E não existe ninguém além de você.
No fundo desse copo, no final de tarde na praia, no levantar da cama, no meu mundo, na nossa realidade. I would be beside you. E só pela certeza de que você também faz isso por mim. Nesse arroubo de sentimentalismo, em todas as palavras ditas, e naquelas que viraram uma ruga. Eu digo sem medo, dou a cara, abro o peito. Só porque é você. E não existe ninguém além de você

9 de out de 2007

Meine freund Amy

- por Lívia Francez

O estado de fobia social é fomentado pela vontade irrestrita de partir rumo ao auto-conhecimento. Juntar em torno de si somente o que agrada e enriquece. Fazer a máquina da cabeça funcionar. Dar corda na imaginação e tomar fôlego para encarar melhor a vida e o cotidiano. É fácil para quem está aqui dentro, convivendo só com pensamentos, livros e músicas.

Nessa busca pela verdade interior se faz muitos amigos, eles sempre têm algo de relevante a dizer. Amy está sempre por aqui, ajuda a afogar as mágoas e exorcizar as bads. Bukowski abre as portas pro futuro, a idealização do sonho, a vontade de conquistar tudo o que se precisa pra ser feliz, sarcástico, sempre chega com uma piadinha irônica pra dar uma sacudida nas idéias. Hesse às vezes aparece também, falando de assuntos que dizem respeito às profundezas da alma, quer porque quer que eu me conheça mais, que olhe mais pra dentro de mim...porra Hesse, gimme a break, às vezes tudo o que preciso é de uma cerveja gelada e isso é a coisa mais importante da minha vida!

Também tem aqueles que fazem visitas esporádicas: Jamie, Ike, Cibelle, o Joe também vem de vez em quando, dão uma movimentada aqui, promovem umas festinhas bem loucas, daquelas em que se dança só de calcinha, sem se importar com o quão ridículo isso possa parecer, mas ok, eles são amigos e não se importam com a insanidade que provocam.

Ah, mas tem um que nem sempre se faz presente, mas é o mais lembrado, é o Chico. Ele me viu nascer, acompanhou o crescimento, a mutação, marcou a vida e vem marcando a estrada, não fica velho nem passado. Motivação, alegria e gratidão. Esse é o Chico!

Todos eles ficam da porta pra dentro. Da porta pra fora é comigo. E nesse estado de fobia social, mal posso esperar pra chegar em casa e ouvir meine freund Amy cantando pra mim, ler o que Hesse tem pra me ensinar, dançar de calcinha com Joe e chorar as pitangas com o Chico querido.

8 de out de 2007

De tombos em tombos

- por Karol Felicio

Quando a cicatrização dói mais que o corte
- com sangue quente não se sente dor-
Depois lateja inconstante e ritmada
Costuro minha carne, lambo minhas feridas
Então me deixe sentir onde dói mais fundo
Só! – RISCO DE INFECÇÃO
Daqui a pouco é pele nova
Daqui a pouco pronta
Para cair de novo

4 de out de 2007

Casulo

- por Karol Felicio
Catando os cacos,
hora de montar o casulo.
Cabe uma estante de coisas boas,
O lixo vai para ali do lado...
“Alguém em construção” – diz a placa.
Um ajuste aqui, uma peça ali, lixo!
Está pouco confortável aqui, mais alguma coisa no lixo
E tem mais espaço...
Aí um de cada vez.
Resolvendo as pendências, saindo.
Joga mais lixo fora.
O que ficou vira enfeite no casulo.
Do lixo sai uma borboleta.
Ex-casulo.
Em busca de jardins mais floridos!

Para aquelas que me movimentam

-por Lívia Francez

Não vivo sem as borboletas, sem aquelas borboletas que insistem em bater as asas no meu estômago. É uma sensação viciante essa...coisa que não abandono nunca. O propósito delas nem sempre é o mesmo, mas elas existem e estão aqui. Nesse momento por alguma coisa, noutro por outra.

As borboletas são necessárias pra cabeça voar, pra criar, pra andar, são a ponta de ilusão na dura realidade, e elas estão aqui, pra me lembrar que sonhar com o pé no chão não é ruim. É ruim sonhar quando se perde a noção da realidade. As borboletas servem pra pegar no sono tranqüilamente, pra andar em nuvens de algodão, pra não esquecer que sou gente e tenho sentimentos. Elas dão força, elas impulsionam, elas anuviam a cabeça. Elas trazem pra realidade, elas me fazem ser melhor, elas...ah, colocam cor em todo esse cinza!

Toda vida fui fascinada por elas, seja na natureza, seja no meu estômago, nos desenhos, nos meus desenhos, na minha pele. Fazem parte de mim, do que eu sou, do que eu busco. A leveza, a metamorfose, a adaptação. Ser uma pessoa que sempre se reinventa, que sempre busca mais, que se deixa levar ao sabor do vento. Que é única, colorida, que renasce sempre pra algo novo e melhor. E que fascina também, por que não? Elas são criaturas que fascinam, que estão em perfeita harmonia com a natureza, carregam seu próprio magnetismo e graciosidade. Elas são presságio de coisa boa, que o inverno acabou, que o sol chegou, que já dá pra botar a cara na rua e sorrir sem medo do frio e da tempestade.

3 de out de 2007

Morte do tempo

- por Karol Felicio

Não é a morte que mete medo
Mas sentir escorrer nos dedos as rugas e os cabelos brancos, e não carregar no estômago a metade do mundo que sonhei comer;
Porque me mata imaginar que a ânsia de viver caduque e que os sonhos morram de velhos como os seguros;
Temo pensar que o fogo da juventude acabe por queimar os desejos, por precipitação e gula;
Porque quero chegar a Vênus, mas ainda não me encontrei na Terra;
E sigo apressada, abrindo vias, chutando pedras, cortando por atalhos e abraçando os riscos;
E me atormenta pensar em tantos “s” das possibilidades...
Melhor cobrir a boca, cerrar os olhos e esperar que o amanhã amanheça.

1 de out de 2007

Meu primeiro meme

-por Lívia Francez

Sou uma apaixonada, curiosa, obcecada por descobrir novos sons. Todos os momentos, ocasiões, épocas, são marcados por certo tipo de música ou artista. Porque não disponibilizar então um serviço de utilidade pública?

Aproveitando a nova febre que toma conta dos blogs, resolvi aqui também fazer um meme, sugerindo o top 5 das músicas que melhor funcionam naquelas horas mais quentes. O fato é que essas cinco pérolas têm uma levada mais sensual e mesmo erótica. Não é preciso ser nenhum expert no assunto para saber o quanto uma música pode ser estimulante ou excitante. Questão de sentidos. Vamos às pedradas:

5) Amy, Amy, Amy - Amy Winehouse: Boa pra criar um clima, o trompetinho esperto da introdução dá toda aquela aura de glamour, cinta-ligas e cigarros na piteira dos anos 50. A letra também é um ahazzo! Attract me/’til it hurts to concentrate ou just to show him how it feels/I will pass his desk in heels é praticamente um convite à cama. Mesmo quem não saca nada de inglês percebe que nessa música tem coisa...e muita coisa! Uma big band completa pra dar início aos trabalhos, abrindo com chave de ouro.


4) Lenda – Céu: Colocando brasilidade na mistura....e partindo pro ataque! Essa já começa cheia de suingue, e com uma mensagem que agrada em cheio às mulheres. Bobeou na crença príncipe, volta ao seu posto de lenda. A voz da cantora também ajuda muito. Sensual, marcante, pungente. Ideal pra quem quer criar um clima de mistério, apimentar um pouco o jogo... Se você quer brincar, rir, fazer gracinhas, criar um clima de envolvimento, essa é a hora.



3) Let’s stay together – Al Green: Um clássico nunca falha! Black music nunca falha! Com essa não podia ser diferente. Um convite à ficarem juntos, uma música de amor, mesmo que não haja amor. Uh, lovin’ you forever, apimenta, gritinhos, sussurros pontuando toda a canção. O “reverendo” se revela bem saidinho nessa maravilha da soul music, é de se esperar que aguce, pelo menos a vontade de se descobrirem.


2) I belong to you – Lenny Kravitz: Ele é sexy, a música dele é sexy. E essa não fica de fora. Um ostinato que instiga, um baixo que intriga, uma guitarra nervosa! Os high and lows da música, são como os altos e baixos a dois. Ora intensos, ora suaves, ritmo marcado, tudo bem combinado. Desenvolvimento primoroso, para o momento de envolvimento, loucurinhas, em que nem se tem noção do que está ouvindo.



1) Spinning the wheel – George Michael: Um cara conhecido mundialmente por ser um devasso não poderia fazer música diferente. Essa é completamente envolvente, tem todos os elementos necessários pra provocar uma explosão nos sentidos. Usa de vários elementos eletrônicos para “abrir as portas da percepção”, e sem precisar nenhum outro aditivo. Backing vocals que são um desbunde combinam perfeitamente com os sussuros que o Perv Michael solta no decorrer dessa pedrada. You’ve got a thing about danger, remete à idéia do sexo como algo perigoso, pervertido, proibido, luxurioso. Alimenta as fantasias e essa obra prima do Dirty Michael contribui e muito com isso.

Menção honrosa para This house is on fire de Natalie Merchant; You know I’m no good, da sempre perva Amy Winehouse; Touch me, dos Doors e You can leave your hat on, do (muso) Joe Cocker.

Arrasem nas sugestões, críticas e adendos. Tudo para spice up your sexual life!

No Ponto


- por Karol Felicio

É bom existir o mistério
Sutilmente apimentando os sentimentos
E assim prorrogar a entrega, discretamente,
Aumentando a distância do tempo exato.

No entanto há de se driblar o risco, de não perder a hora,
De não passar do ponto, da temperatura exata,
Crocante por fora, macia por dentro, nem quente, nem fria.
Sem perder o momento, sem quebrar a magia.

30 de set de 2007

O Mago

- por Karol Felicio
Na terra dos índios e dos ritmos tribais
Eu vi um mago
De jovens e longos cabelos brancos
Um semblante de paz
E sandálias rasteiras cruzadas sobre a grande almofada colorida

A brisa não poderia ser nem mais quente,
Nem mais fria.
As luzes irradiavam cores.
Os sons mais lindos disseminavam das mãos do mago
Enchendo as mentes de brilho
Seres transcendendo no espaço
Uma energia musicalmente surpreendente

Fitei-o por algumas horas
Até o tempo que meu coração se satisfizesse das cores cantantes que brotavam de suas mãos
Agradeci com um sorriso
Ele, com alegria no olhar,
Retribuiu com uma reverência.
Amém!

Ecumenia

- Por Lívia Francez

Bate seu tambor e me hipnotiza.
Fuma seu cachimbo, eparrei!
Tuas oferendas lhe trarão ótimas graças
Confia no teu Deus que ele está por você.

Salve!

Não temas, tens o corpo fechado,
São Jorge te protege, o dragão não alcançará.
Baforada pra selar
Sua alma vai mais leve pra buscar sua verdade.
Reza vela, bate forte, aumenta o ritmo
Roda, ri e faz careta.
Alcança o nirvana, professa sua fé.
Ele te protege.

29 de set de 2007

Boyz’n’Grrrls (Esse é muito grande mas é bom! Com o perdão do trocadilho... rs)

- por Karol Felicio e Lívia Francez
O que você prefere? Para qual lado da moeda você olha? Onde termina a modernidade e começa a promiscuidade? O que é liberdade pra você? Em pauta sexo: amor e necessidade.

Homens podem sair à caça, certo? Mulheres não, pega mal. A não ser que elas queiram fazer a linha discreta, separando sexo de sentimento, discernindo até onde ir. É um jogo bem difícil. Só pra iniciadas. Não meter (ui!) os pés pelas mãos, e acima de tudo, confiar no próprio taco e se valorizar. Muita coisa pra conciliar, muito pensamento pra formular. Se joga!

Uma pequena introdução só pra botar (tô demais!) mais lenha na fogueira. Na batalha entre os sexos, entre a vontade de fazer sexo e o pudor de macular a imagem. Um ponto muito simples, necessidade básica, questão fisiológica. Natureza humana.

Mulher gosta de beijo, de amasso, de chamada. Mulher gosta de carinho, declarações e surpresas. Gosta de sexo sem compromisso, mas também busca uma relação estável. Mulher (senão por eles) não vê problema em transar no primeiro encontro, não acha que valha menos por isso. Mulher sabe do seu valor. Mulher... mulher gosta!

Um ser sagaz que sabe onde pisa, que não tem medo do escuro que é segura das suas escolhas. Que não deita diante de mais um otário no seu caminho. Que encara e sabe se livrar de situações – limite. E quando menos se espera, ao menor sinal de despreparo, está zunindo, à procura de outro que melhor se encaixe no seu mundo. Que não julgue, que esteja à frente. Sem caretice, que a veja como mulher e não um pedaço de carne exposto.

Atenção e sensibilidade. Deixa que o compromisso a gente decide mais tarde. Não é muito, só fazê-la sentir-se confortável, amparada e segura de que não é mais um boçal na estrada. Um erro, uma ruga, um cabelo branco. Quer alguém que aprecie o banquete, e não se contente com o couvert. Que explore tudo de bom que ela - por trás dos peitos - pode oferecer. Que desvende o enigma atrás dessa figura de força e aparente indiferença. Não se engane, o ar blasé é só um disfarce, um pedido pra que você abra a caixa de Pandora e desfrute dos segredos mais obscuros da natureza feminina.

Calma lá, não vamos pedir demais!

Tudo bem, são muitos os mistérios e as vontades, não caberia a nós escravizar as pobres almas desses... machos! Que também não tenham tamanha pretensão, seria chaaaato, deixemos essa parte para os terapeutas. Mas pelos menos atentem para detalhes básicos que fazem toda a diferença.

Muito se ouve falar de emancipação feminina, mulheres no comando, tomando as rédeas, metendo a cara, partindo pra ação. Mas será que a macharada está preparada pra todo esse ímpeto de ousadia e atrevimento? É uma questão muito simples. Enquanto nós mulheres, formulamos todo um pensamento, um plano de ação acerca do objeto de desejo, eles, os homens, são muito mais claros em relação às próprias intenções: "Se der mole, eu pego mesmo!".

Mas o que eles não sabem é que as amazonas modernas ainda conservam as mulherzinhas que foram suas avós. Elas só querem um sorriso, um olhar...( chegar puxando o cabelo é pior que usar pochete). Querem uma conversa interessante, alguém que abra a porta... e isso não é careta. Querem que ele ligue no dia seguinte, nem que seja por educação. Querem bom dia, boa noite... e quem sabe uma surpresinha à tarde?! Querem que ele tenha opinião, que escolha o programa de hoje, nem que seja para discordar. Querem saber como foi no trabalho, mesmo que não tenham muito a acrescentar. Querem discutir política e segurança pública (acorda, faz tempo que ela não é uma bonequinha de luxo!). Querem uma trepada inesquecível, e querem conversa e comidinhas para depois do amor. Querem uma respiração quente e ofegante, mas um colinho e um cafuné fazem tão bem! Querem acreditar que são exclusivas, incomparáveis e indispensáveis, mesmo sabendo que ele vai olhar a primeira gostosa de biquíni vermelho (pelo menos seja discreto!). Querem ser orgulho, ser parceira, ativa, necessária; não apenas no porta-retrato da sua cabeceira. Eles dizem que elas só "querem, querem, querem" e no fundo elas não querem nada de mais.

É certo meninos, que a hora é de "pegação", muito previsível. Os homens e a síndrome de Peter Pan, eternamente crianças... mas o tempo passa e uma hora você vai cruzar a esquina e se deparar com ela e isso será mais forte que o macho pegador que existe em você! E você meu bem, vai ajoelhar e pedir colo! Mas estará tão destreinado, tão superficial (afinal são anos de trepadas fáceis) que ela vai te olhar e não vai enxergar mais nada além de capa, um playground para as mais frívolas fantasias.

Uma dica de ouro: comece agora... a prática não leva à perfeição? Mãos a obra! Respeito, admiração e carinho. Cumplicidade, Companheirismo e amizade. Fogo, fungada no cangote e sexo oral. Não engorda, é legal e não faz mal.

Delivery

- por Karol Felicio

Um brinde às paixões instantâneas

Das salas de consultório
Das mesas dos bares
Dos coletivos
E das calçadas

Um brinde às paixões de muitos olhares e poucas palavras
Ah como são leves, são fortes, livres e eternizadas pelo momento!
Um brinde a elas que ardem e não queimam, àquelas que não completam o ciclo, não discutem a relação e não morrem.

Um brinde com champagne ao drive thru!

28 de set de 2007

300 páginas de travessuras

-por Karol Felicio

Quando esse livro caiu em minhas mãos veio acompanhado de um comentário sacana que me levou a pensar “Nossa, tenho 300 páginas de uma narrativa erótica para devorar, que delicia!”. Qual não foi a surpresa quando descobri que muito mais que cenas picantes o livro discorre sobre uma história de amor num cenário que te leva a uma verdadeira retrospectiva cultural pelo mundo e pelo tempo.

Não é uma historinha romântica, água com açúcar, é um romance de amor que foge do lugar-comum justamente por ser mais real do que muitos romances literários.
O personagem principal Ricardo, um homem sem grandes ambições, narra em primeira pessoa, a sua vida, tendo como ponto de foco seu grande amor, uma aventureira, fria e manipuladora que muda de nome e de marido de acordo com seus interesses. Arrisco dizer que, guardadas as devidas proporções, Lily (seu primeiro nome) é a caricatura de um tipinho de mulher bem comum nos dias atuais.

O romance começa na infância de “Ricardito” com a “Chilenita”, no Peru, e é marcado por encontros e desencontros no decorrer de quatro décadas. Na Paris revolucionária dos anos 60; na Londres recheada de drogas, cultura hippie e amor livre dos anos 70; na Tóquio dos grandes mafiosos; e na Madri de transição política nos anos 80. Portanto mais que uma conturbada história de amor a narrativa retrata um panorama de transformações, sócio-político-culturais, da América Latina e da Europa, interessantíssimo.

O amor de “Travessuras da menina má” é doloroso e turbulento e mostra como um homem pode ficar nu, despido de qualquer dignidade, pudor e amor próprio em nome de uma mulher. Ao mesmo tempo como uma mulher pode passar por cima de qualquer valor em nome de dinheiro e status.

O autor insere com grande sensibilidade as tramas e os personagens secundários na história e faz com que o leitor se identifique e se compadeça com eles também.

Ler essa narrativa traz à tona sentimentos diversos. A leitura é ágil, moderna, empolgante, angustiante, excitante, envolvente, cômica, triste, dolorida e prazerosa. Assim que o livro acaba, e passa a sensação de choque, dá vontade de voltar e ler tudo novamente.

SOBRE O AUTOR
Mário Vargas Llosa é jornalista, dramaturgo, ensaísta, crítico literário e um escritor consagrado internacionalmente. Nasceu em Arequipa, Peru, em 1936 e mudou-se para Paris nos anos 60. Já lecionou em diversas universidades americanas e européias e transitou pela carreira política candidatando-se a presidência do Peru em 1990, mas perdendo para Alberto Fugimori. O autor vive entre Londres, Paris, Madrid e Lima.

Dentre a vasta produção literária destacam-se alguns romances como Conversa na Catedral, Pantaleão e as visitadoras, Tia Júlia e o escrevinhador e Cartas a um jovem escritor.


Da série "Mulheres que fazem a nossa cabeça": Céu

-Por Karol Felicio e Lívia Francez

Não, ela não é parecida com essas novas cantoras que bombam nas FMs, ela não imita ninguém, ela não vai nutrir o desejo da mídia pelo comercial, vendável ou óbvio. Ela é sangue novo, é ar fresco, é mais uma brisa que sopra nessa música brasileira que tem estado bem insossa. Ela é a Céu, horizonte de quem não quer mais ouvir sons pré-fabricados.

Ela caiu nos nossos ouvidos em meados de 2006 e foi um tapa. Daqueles que tiram a gente do lugar e provocam questionamento. Quem é essa pessoa? Que voz é essa? Estava super precisando disso!

O cd homônimo foi lançado em 2005 e já chegou sob o crivo do produtor musical Beto Villares, ou seja, já é bom de partida. Variadas referências fizeram o som da Céu uma profusão de estilos. A trajetória das músicas vai da raiz africana, batidas de tambor, atabaques, samba à levadas eletrônicas, reggae, dub, jazz e afrobeat. Raiz e modernidade. Além ser co-autora de 12 músicas das 15 músicas traz ainda nova roupagem à canções já consagradas como “Concret Jungle” (Bob Marley), uma releitura excepcional. Enfim, brasilidade absoluta.

Uma linha bem experimental, que à primeira ouvida (a não ser pela voz forte, doce e segura da Céu) pode causar estranheza. Mas logo na primeira música ela faz cair por terra qualquer pé atrás que o ouvinte (sortudo) poderia ter. Mensagem, meus caros. Agrada em cheio às mulheres, já que é tudo o que elas gostariam de dizer. E groove, que possibilita aos quadris se soltarem, a ginga, funciona na pista.

Tem uma banda formidável, gente nova e com vontade, originalidade e técnica pra mandar um som único, singular, moderno. Dá pra notar no decorrer do álbum que eles têm espaço pra mostrar a que vieram. Muitas vinhetas instrumentais, músicas inteiras em que fica claro que há uma banda de responsa por trás da bela voz.

No palco ela emerge toda a sensualidade de um clima introspectivo, é intensa, provocante, tem um charme desencanado e além de tudo é bonita. Enfim, abre a boca, solta o quadril e hipnotiza.

O céu não é o limite pra ela. Musa, alívio e alegria. Sacode toda a caretice e bota pra dançar!

Quer conferir "a voz "? Tem esse vídeo aqui do programa Ensaio, da Cultura!

27 de set de 2007

Você por aqui?

Sim, é o que vocês estão pensando... Mais um blog! E calma lá porque não é qualquer um não. Aproveitando a democratização da rede vamos metendo o pé na porta pra abrir nosso espaço.

Esse não é um espaço sexista, mas tudo tem o ponto de vista feminino. Não esperem encontrar o lugar-comum aqui, ele simplesmente não existe.

Esse é um espaço democrático, por isso mesmo vamos postar o que tivermos vontade e vocês façam as críticas que quiserem.

Fiquem à vontade, acendam um cigarrinho, um incenso (para os mais saudáveis) sirvam-se, devorem-nos!