3 de out de 2007

Morte do tempo

- por Karol Felicio

Não é a morte que mete medo
Mas sentir escorrer nos dedos as rugas e os cabelos brancos, e não carregar no estômago a metade do mundo que sonhei comer;
Porque me mata imaginar que a ânsia de viver caduque e que os sonhos morram de velhos como os seguros;
Temo pensar que o fogo da juventude acabe por queimar os desejos, por precipitação e gula;
Porque quero chegar a Vênus, mas ainda não me encontrei na Terra;
E sigo apressada, abrindo vias, chutando pedras, cortando por atalhos e abraçando os riscos;
E me atormenta pensar em tantos “s” das possibilidades...
Melhor cobrir a boca, cerrar os olhos e esperar que o amanhã amanheça.

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