1 de ago de 2008

Indigesto

- por Karol Felicio

Pobre da poesia que nasce na morte do amor
E daquela música que sorria
e agora toca e dói
Aquela foto que rasga e sangra
e aquela cama que chora e chora


Pobre do poeta que se alegra com a arte que faz
do estrago do seu próprio amor
Pobre do leitor, que admira a dor, mastiga as vísceras do poeta,
essa tristeza indigesta, engole num copo d’água,
fecha a tela, vira a página, sai, e nem olha para traz


Pobre dessa gente, por toda parte, que se ressente
A garota que dobrou a esquina, o moço que fechou a porta e afrouxou o nó da gravata,
Aquela senhora que passa, aquele menino que cala
Se quiser alegria dirija-se ao guichê ao lado
E tudo isso é matéria prima, vai dar à luz a algumas linhas, que, por hora, nem da gaveta saem

A gente produz muito lixo, anda descalço no esgoto
A gente faz amor com a peste, para nascer algo que preste
E às vezes a gente joga pérolas aos porcos
A gente escreve
E espera que alguém goste, ou que alguém deteste
Mas espera que alguém leia.

12 comentários:

Felipe Malta disse...

Eu li.
Gostei!
Tá produzindo hein.
Beijo

Antonio Sávio disse...

Nossa. Quem me dera poder leva-la mesmo moça. Há quem não goste do que escreves? Pobre do leitor que não pode cá debruçar suas retinas para ter o privilégio que agora tenho. Mais uma vez parabéns por tua sensibilidade.

marcos assis disse...

bom, bom demais! vou ler ooutros textos daqui agora.

pobre de todos nós...

Celine disse...

Muito bom!!!

"sempre nasce algo que preste"
Posso ser sobrinha de Pagu?
rsrs

Douglas disse...

òtima poesia!
Continue assim!
Beijão

Juliana Caribé disse...

Eu li e gostei.
Eu não espero que ninguém goste do que eu escrevo, porque eu mesma detesto. Mas acho que pobre mesmo é a menina que não anda, o moço que não afrouxa o nó da gravata, a gente que não vive. Pobre de mim...

Beijos.

P.S. Vou linkar o blog, tá?

avessodoavesso disse...

lindo!lindo!
é vc quem atende no guichê ao lado?
hihi


>>

Larissa Santiago disse...

simm... eh isso mesmoo!!
;)

Larissa Santiago disse...

eh isso mesmooo!!
;)

Julimara disse...

Olá Mayara...
Tava aqui "fuçando" no orkut de um amigo de Viçosa e vi no seu perfil o endereço do blog. Daí resolvi entrar e to aqui lendo, lendo... muito bons seus poemas. Já pensou em fazer ou já fez música de alguns deles?
Qto a este poema especificamente... é realmente impressionante como as pessoas gostam de ler a tristeza, como o fim de um amor sempre rende uma canção. Eu mesma, sempre quando escrevo só falo de amor, tento fugir do assunto mas não consigo expulsá-lo da minha mente. Bem é isso, entrei aqui mesmo só pra te elogiar. Como não sei escrever admiro muito que sabe. Ahhh, como deve gostar de ler tb entra nesse blog aí, são de 2 amigos meus://doisloucosemumdiva.wordpress.com/.

Grande abraço e boas inspirações...rss

Julimara disse...

ixi.. Agora que vi que te chamei de Mayara.... falta de atenção minha. Desculpe. Deve ser porque foi no orkut dele que vi o endereço do seu blog. Foi mal..rss

Filhas da Pagu disse...

Oi Julimara! Obrigada pela visita. Já pensei em musicá-los sim, só não sei como! rs
Seu perfil está indisponível, geralmente eu respondo no blog de quem leu. Você tem blog?